segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Entrevista do diretor Breno Santana ao Diário de Pernambuco

Hora de cautela para as micros
Sebrae e Feamepe questionam se vale a pena contratar temporários ou empréstimoThatiana Pimentel // Especial para o Diario thatiana.pimentel@gmail.com


Bertrand Gourgue, diretor da Síntese - pequena empresa de compras e consultoria hospitalar - passou um grande sufoco no início do ano. Como precisava de crédito para lançar um portal de comércio on-line, visitou vários bancos em busca de financiamento, mas não conseguiu nenhum. A solução foi abrir o negócio para um sócio e investir dinheiro próprio, tanto na ferramenta, quanto nas contratações necessárias para essa nova etapa de sua empresa. Gourgue obteve sucesso e, além de conseguir um financiador, já tem mais de 40 clientes no portal. O êxito, porém, não afasta o medo de um mercado difícil para o setor de micro e pequenas empresas após o estouro da crise financeira americana. "Se precisarmos de um novo financiamento será praticamente impossível conseguir créditos no bancos, que pedem garantias irreais, ou arranjar um outro sócio. Ninguém vai querer se arriscar num momento de recessão", afirmou Bertrand.A apreensão do empreendedor, apesar de compreensível, é prematura na opinião de Murilo Guerra, superintendente do Sebrae de Pernambuco. "A crise, se chegar ao Brasil, vai atingir primeiramente as grandes empresas. Os pequenos e médios não precisam se preocupar. Existe, sim, crédito nos bancos e novas linhas de financiamento devem aparecer para o setor ainda este ano", garantiu Guerra. Tarcísio Silva, presidente da Federação das Associações das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Feamepe) aconselha, porém, que os microempresários tenham mais cautela antes das contratações do final do ano. "Sabemos que as pequenas empresas têm grande dificuldade de estoque e podem ter problemas, principalmente com a alta do dólar", avisou. Ele ressaltou que a categoria já enviou uma proposta de nova linha de crédito para aprovação do BNDES. "Pedimos a criação do cartão BNDES, com liberação de até R$ 250 mil para capital de giro das pequenas empresas", diz. Breno Santana, um dos sócios da Baker Tilly Brasil - empresa de consultoria e auditoria - tem uma opinião menos positiva do cenário das linhas de crédito, especificamente em Pernambuco. "Cerca de 60% das pequenas e médias empresas do nosso estado trabalham com serviço e já têm grandes dificuldades na hora de conseguir crédito nos bancos. Com a crise é obvio que esses obstáculos ficarão ainda maiores, com juros altos, prazos curtos e carência zero. O que nós questionamos é porque o governo federal não destina um quantia de dinheiro para o setor como já está fazendo para a agricultura e para as empresas que exportam", comentou o consultor. Ele também é categórico ao afirmar que os micro, pequenos e médios empresários devem reduzir o número de vagas para empregos temporários nos próximos meses, uma vez que não conseguirão aumentar os estoques com facilidade. "O que vai existir é muito potencial de venda, mas poucos produtos. Ainda não existem boas possibilidades de crédito para capital de giro".O BNDES disponibiliza três tipos de crédito para micro, pequenas e médias empresas. O único, porém, que empresta dinheiro para uso em capital de giro é o BNDES automático, linha que concede financiamentos em até R$ 10 milhões por cliente. O dinheiro deve ser usado para projetos de investimentos na abertura, ampliação e modernização de um negócio, incluindo a aquisição de máquinas e equipamentos novos, além do capital de giro associado. Já o Banco do Nordeste tem uma linha de crédito especial para atividades não relacionadas à área rural que pode ser usada até 100% para capital de giro associado nas microempresas, 50% nas pequenas e 30% nas médias.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

I Workshop Baker Tilly Brasil Compartilhando TI



















Entrevista Henrique Albuquerque ao Diario de Pernambuco

Mercado bom para os contadores
RECONHECIMENTO // Mudanças promovidas pela Lei 11.638, que adeqüa os sistemas contábeis às normas internacionais, amplia leque para profissionaisThatiana Pimentel // Especial para o

O mercado para os profissionais de contabilidade nunca esteve tão promissor. A categoria passa por um momento de crescimento e reconhecimento inédito, incentivado pelas mudanças promovidas pela Lei nº 11.638, sancionada pelo presidente Lula no final do ano passado, e pela implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que deve ser obrigatório a partir do ano que vem. Em Pernambuco, o cenário é ainda mais positivo, pois o estado conta com o diferencial do Pólo Têxtil do Agreste e do Complexo de Suape, grandes catalisadores de novos empreendimentos."Estamos vivendo um tempo de importantes transformações no setor. Antes, os empresários viam a contabilidade apenas como uma obrigação a ser cumprida por causa das exigências legais. Hoje, essa cultura está dando lugar a uma valorização da figura do contador, que também presta um serviço de consultoria às empresas, gerando informações para a gestão do negócio como um todo", explicou o diretor de auditoria e contabilidade da firma internacional Baker Tilly, Henrique Albuquerque. A Lei nº 11.638, para ele, chegou apenas para reforçar a mudança. "As regras contábeis eram regidas por uma regulamentação que já vigorava há 32 anos. Com a nova lei, os procedimentos contábeis brasileiros irão se adequar às normas internacionais, tornando as empresas mais transparentes e incentivando os investimentos externos", afirmou.Entre os pontos da lei, estão a ampliação da quantidade de casos de empresas obrigadas a publicar seus balanços anuais com parecer de auditores. Antes, essa norma só era obrigatória para as grandes empresas que negociavam ações na Bolsa como o Banco do Brasil e a Petrobras. As empresas também terão que separar os valores intangíveis como marcas, patentes e softwares, nas contas de ativos permanentes, e poderão realizar ajustes diretos do valor de seus bens. Outro fator de crescimento é a implantação do Sped, sistema que irá permitir que os contribuintes disponibilizem, eletronicamente, as base de dados de seus balanços contábeis e fiscais a partir do próximo ano. "Isso vai dobrar o trabalho das empresas, o que significa a contratações de novos contadores. Aqui no escritório da Baker, já temos 30 profissionais e vamos contratar, até o final do ano, mais 15 estagiários", completou Albuquerque.A professora Umbelina Lajioia do departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), confirma a tendência. "Eu ensino aos sextos períodos e quando alguém me pede um estagiário é uma luta encontrar um estudante disponível nas minhas salas", afirmou. Ela acredita que o cenário positivo da economia pernambucana irá incentivar ainda mais as contratações.